
Depois da longa discussão sobre o tal de chester, que convenhamos, é um bicho mui misterioso, acabei comendo peru mesmo no Natal. Peru ao menos eu sei com o quê se parece.
Meu primeiro Natal com meu filho, em casa, porque meu avô morreu em Julho e desmotivou a familiarada Bruzza a se reunir em 2005. O Igor acordou por volta da meia noite, recebeu os presentes, comeu papel de embrulho, jogou os brinquedos no chão, ceou com a gente e se entupiu de peru também. Ele ganhou muitos brinquedos barulhentos, em especial um painel de carro, que eu, sinceramente, vou tirar as pilhas. Ganhei uma medalhinha com a foto dele gravada, brincos (na verdade eu uso sempre os mesmos) e um celular novo, meu Nokia modelo 0.0001 já não rolava mais... ainda ganhei um penduricalho de sapinho pra pendurar nele, e ainda pilhas recarregáveis (pra mim que sou doente por fotografia vai ser uma economia e tanto) e um estojo com aqueles relógios Mariner, lembra?!? TODO mundo tinha nos anos 80, ele troca as pulseiras, vem com 7 coloridas, muuuuuuito legal!!!
As pessoas perderam o costume de usar relógio, depois do uso obrigatório do celular... e eu digo obrigatório porque já é mais indispensável que roupa, nas lojas quando vai fazer cadastro, celular, pra assinar o comprovante do Visa, celular, no cheque, celular. Se tu vai dar o telefone pra um amigo, dá o celular. Se pede o telefone dele, pede o celular. E ele economiza em relógio, agenda, e agora até walk-man, câmera, às vezes até computador. Não quer ligar? Manda um torpedo!
A bolsa realmente ficou mais leve.
Mas... e a graça?
Bom, me desculpem os celulóides, mas eu vou usar meu relógio de trocar pulseiras, vou usar minha câm, vou usar papel pra escrever. E vou ligar pra casa das pessoas, sim!
Bem que tentaram dizer que o celular dá câncer, que desvia os neurônios, que explode no posto, mas não adianta. É obrigatório.
O próximo passo da humanidade qual vai ser? Erradicar o papel da face da terra?
Sinto muito, mas ler "O Exorcista" em papel com cheiro de papel, nunca vai ser substituído. Cheiro de livraria, cheiro de sebo, cheiro de papel velho, amarelado, ácaro, sim ácaro! Papel molhado, picotar papel, recortar séries de bonequinhos, nunca nada disso vai ser substituído. A emoção de receber uma carta é muito maior do que a de receber um e-mail.
Às vezes imagino que é sorte a minha já ter 25 anos... ao menos não vou ver essas coisas tristes acontecendo.
Ontem também vi um telefone atiguíssimo da Ericssom, redondinho, discagem à dedo, cor vermelho-táxi, fiquei com uma vontade danada de ter um... Assim como tenho vontade de ter uma Frigider (lembra disso?!?) pra fazer de estante de cd's... ou melhor ainda, pra guardar minha coleção de vinil.
Sou entusiasta do passado, das invenções ultrapassadas pela voracidade, das memórias confusas que habitam minha cabeça. Tudo isso que coleciono (inclusive minhas lembranças) me fazem sentir gosto, cheiro e por alguns milésimos de segundo me transfiro pra lá, onde eu me sentia segura, onde eu ainda não precisava ter um celular.
Não tenho nada contra celular, porque tenho um e uso, e sim, também peço celular dos amigos. Mas só pro caso de não achá-los em casa ;D
Mas prefiro mil vezes ouvir um vinil do Black Sabbath, discar com o dedo, ler virando página, escrever uma carta e receber um telefonema "triiiiim, triiiiim", fazer pipoca na panela, tirar fotografia e revelar o filme... jogar Genius, jogar War, Banco Imobiliário, ver Jetsons, Thundercats, Changeman, Chacrinha. Mas por favor, BOZO NÃO!!! xD
Enough. Too much opinions for this post ;D
Mais uma foto de cafeteira xD